{"id":525,"date":"2026-07-02T09:42:01","date_gmt":"2026-07-02T12:42:01","guid":{"rendered":"https:\/\/aclimacao.org.br\/?p=525"},"modified":"2026-07-02T09:48:35","modified_gmt":"2026-07-02T12:48:35","slug":"a-mudanca-climatica-ja-chegou-as-cidades-brasileiras-falta-nossa-imprensa-se-dar-conta-disso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/a-mudanca-climatica-ja-chegou-as-cidades-brasileiras-falta-nossa-imprensa-se-dar-conta-disso\/","title":{"rendered":"A mudan\u00e7a clim\u00e1tica j\u00e1 chegou \u00e0s cidades brasileiras: falta nossa imprensa se dar conta disso"},"content":{"rendered":"<h6>Moradores do bairro Balne\u00e1rio dos Prazeres, em Pelotas (RS), colocam sacos de conten\u00e7\u00e3o proximo as casas para evitar inunda\u00e7\u00f5es (Foto: Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A coluna da ombudsman da <em>Folha<\/em>, Alexandra Moraes, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/alexandra-moraes-ombudsman\/2026\/06\/falta-soar-o-alerta-de-misantropia-na-cobertura-do-clima.shtml?utm_source=whatsapp&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=compwa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicada no \u00faltimo dia 27 de junho<\/a>, faz uma cr\u00edtica simples e poderosa: o jornalismo brasileiro ainda tem dificuldade de reconhecer a crise clim\u00e1tica quando ela acontece diante de n\u00f3s, nas nossas cidades, nas nossas periferias, nas nossas encostas e \u00e1reas alag\u00e1veis. O texto afirma que a &#8220;discuss\u00e3o sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica no pa\u00eds \u00e9 deixada de lado diante de trag\u00e9dias reais, enquanto efeito na Europa \u00e9 percebido com mais facilidade&#8221;. E observa que ondas de calor na Europa costumam ser tratadas como parte evidente da emerg\u00eancia clim\u00e1tica, enquanto enchentes, deslizamentos e desabamentos no Brasil frequentemente aparecem como fatos isolados de \u201ccotidiano\u201d, \u201ctr\u00e2nsito\u201d ou \u201cprevis\u00e3o do tempo\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>Apenas uma semana atr\u00e1s, o &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2026\/06\/entenda-ponto-a-ponto-a-suposta-invasao-no-sistema-nacional-da-defesa-civil.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alerta de misantropia<\/a>&#8221; lembrou a fragilidade do sistema de aviso da Defesa Civil. Ironicamente ou n\u00e3o, o alarme hacker misantr\u00f3pico fez bem mais barulho do que desastres reais dos dias atipicamente chuvosos deste junho&#8230;. cabe ao jornal, que mant\u00e9m o slogan &#8220;em defesa da energia limpa&#8221;, aprofundar-se n\u00e3o s\u00f3 no aspecto econ\u00f4mico da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica mas tamb\u00e9m na cobertura das consequ\u00eancias do drama clim\u00e1tico.<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa diferen\u00e7a de enquadramento importa. N\u00e3o se trata apenas de escolher uma editoria ou um chap\u00e9u de not\u00edcia. Quando uma trag\u00e9dia clim\u00e1tica \u00e9 tratada como acidente local, perde-se a chance de mostrar suas causas estruturais: ocupa\u00e7\u00e3o urbana desigual, falta de drenagem, moradias prec\u00e1rias, aus\u00eancia de sistemas de alerta, baixa capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e desprote\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. O desastre parece azar. Mas, muitas vezes, ele \u00e9 o resultado previs\u00edvel de riscos conhecidos e negligenciados.<\/p>\n<p>Para a Aclima\u00e7\u00e3o Resili\u00eancia Clim\u00e1tica, essa reflex\u00e3o \u00e9 central. A crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 apenas uma amea\u00e7a futura, nem um problema abstrato de temperatura m\u00e9dia global. Ela j\u00e1 est\u00e1 reorganizando a vida concreta de milh\u00f5es de brasileiros. Afeta a casa que desaba, a crian\u00e7a exposta ao calor extremo, o pequeno comerciante que perde tudo na enchente, a fam\u00edlia que vive sem seguro, sem alerta, sem obra de conten\u00e7\u00e3o, sem plano de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Dar nome clim\u00e1tico a esses eventos n\u00e3o significa for\u00e7ar explica\u00e7\u00f5es simplistas para cada chuva ou cada onda de calor. Significa perguntar melhor: o que mudou no padr\u00e3o de risco? Quem est\u00e1 mais exposto? Que pol\u00edticas p\u00fablicas falharam? Que obras, protocolos, seguros, fundos e redes comunit\u00e1rias poderiam ter reduzido o dano?<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do texto da ombudsman est\u00e1 justamente em cobrar da imprensa \u2014 e, por extens\u00e3o, das nossas institui\u00e7\u00f5es \u2014 uma mudan\u00e7a de olhar. O Brasil precisa tratar adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica como agenda de sobreviv\u00eancia, justi\u00e7a e investimento p\u00fablico. Enquanto a crise for narrada como uma sucess\u00e3o de trag\u00e9dias desconectadas, continuaremos chegando tarde demais. O primeiro passo para proteger vidas \u00e9 reconhecer que o alerta j\u00e1 est\u00e1 soando.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Moradores do bairro Balne\u00e1rio dos Prazeres, em Pelotas (RS), colocam sacos de conten\u00e7\u00e3o proximo as casas para evitar inunda\u00e7\u00f5es (Foto: Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil) &nbsp; A coluna da ombudsman da Folha,&#8230;<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":527,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":{"0":"post-525","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-adaptacao-e-resiliencia"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/aclimacao.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_do_whatsapp_de_2024-05-26_as_17.07.08_c24eebd4.webp?fit=1024%2C768&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=525"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":530,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/525\/revisions\/530"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}