{"id":510,"date":"2025-11-04T12:11:12","date_gmt":"2025-11-04T15:11:12","guid":{"rendered":"https:\/\/aclimacao.org.br\/?p=510"},"modified":"2025-11-04T12:17:56","modified_gmt":"2025-11-04T15:17:56","slug":"desafios-e-oportunidades-na-cop-30-justica-climatica-em-foco-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/desafios-e-oportunidades-na-cop-30-justica-climatica-em-foco-no-brasil\/","title":{"rendered":"Desafios e Oportunidades na COP 30: Justi\u00e7a Clim\u00e1tica em Foco no Brasil"},"content":{"rendered":"<h5>Favela em Bel\u00e9m do Par\u00e1 &#8211; Foto: Bgabel at wikivoyage<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A COP 30 em Bel\u00e9m do Par\u00e1 coloca o Brasil no centro das aten\u00e7\u00f5es como potencial l\u00edder na diplomacia clim\u00e1tica global. Esta \u00e9 uma oportunidade hist\u00f3rica para o pa\u00eds direcionar o foco para a justi\u00e7a clim\u00e1tica, uma agenda que se torna cada vez mais urgente \u00e0 medida que o planeta enfrenta o aumento das temperaturas. As popula\u00e7\u00f5es de menor renda est\u00e3o em risco crescente de sa\u00fade e vida devido ao aumento do calor e extremos clim\u00e1ticos crescentes que ampliam as desigualdades existentes em nossa sociedade.<\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia de eventos extremos no mundo aumentou exponencialmente a partir da segunda metade do S\u00e9culo 20. Segundo dados da institui\u00e7\u00e3o Our World in Data. Na d\u00e9cada de 40 foram houve 131 ocorr\u00eancias, crescendo para a m\u00e9dia de 3.627 eventos por d\u00e9cada no S\u00e9culo 21. O mundo j\u00e1 coleciona a mem\u00f3ria e custos dram\u00e1ticos destes eventos. Entre abril e maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou um desastre clim\u00e1tico severo, com chuvas e inunda\u00e7\u00f5es afetando mais de 90% do estado. Houve 172 mortes e centenas de milhares de deslocados, com preju\u00edzos de cerca de R$ 4 bilh\u00f5es. Aproximadamente 1 milh\u00e3o de resid\u00eancias foram danificadas, mais de 54 mil destru\u00eddas. As comunidades de menor renda na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre foram as mais afetadas pelas chuvas.<\/p>\n<p>Os tr\u00e1gicos eventos no Rio Grande do Sul, somados a in\u00fameros desastres e aumento das temperaturas ao redor do mundo, refor\u00e7am a busca por justi\u00e7a clim\u00e1tica. Este movimento cresce em todo o mundo na forma de demandas por sustentabilidade e equidade, especialmente pela popula\u00e7\u00e3o mais atingida pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Movido por ativistas, comunidades tradicionais resilientes e acad\u00eamicos, a luta dos mais vulner\u00e1veis por seus direitos clim\u00e1ticos enfrenta as desigualdades intensificadas nos \u00faltimos 40 anos.<\/p>\n<p>O Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) destaca uma disparidade alarmante: enquanto cada pessoa deveria limitar suas emiss\u00f5es a 2,1 toneladas de CO\u2082 por ano, o 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o emite 76 toneladas, contrastando com os 0,7 tonelada dos 50% mais pobres. Isso revela uma injusti\u00e7a profunda, onde as na\u00e7\u00f5es do G20, respons\u00e1veis por cerca de 80% das emiss\u00f5es globais, contrastam com pa\u00edses africanos que enfrentam as consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sem serem grandes emissores.<\/p>\n<p>No centro da quest\u00e3o social clim\u00e1tica est\u00e1 a compreens\u00e3o de que aqueles que menos contribu\u00edram para a crise clim\u00e1tica s\u00e3o paradoxalmente os mais impactados por suas consequ\u00eancias devastadoras. Na\u00e7\u00f5es do Sul Global enfrentam quase 99% de chance de sofrer os piores efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, enquanto o Norte Global, grande emissor de carbono, continua a controlar a narrativa das solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O aumento alarmante de refugiados clim\u00e1ticos destaca a urg\u00eancia de pol\u00edticas clim\u00e1ticas equitativas. No Paquist\u00e3o, as chuvas torrenciais de 2022 submergiram um ter\u00e7o do pa\u00eds, deslocando milh\u00f5es. No Afeganist\u00e3o, a combina\u00e7\u00e3o de secas e invernos rigorosos empurra milhares para fora de suas casas. Situa\u00e7\u00f5es semelhantes ocorrem na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e no Sud\u00e3o do Sul, onde desastres naturais e conflitos armados for\u00e7am deslocamentos em massa, exacerbando a inseguran\u00e7a alimentar e a crise humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o dos refugiados clim\u00e1ticos \u00e9 uma das mais alarmantes manifesta\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a clim\u00e1tica. Estat\u00edsticas atuais indicam um aumento cont\u00ednuo de deslocados internos devido a desastres naturais e conflitos. Segundo o Internal Displacement Monitoring Centre (IDMC), at\u00e9 o final de 2023, havia 75,9 milh\u00f5es de pessoas deslocadas internamente, com 26,4 milh\u00f5es devido a desastres naturais. Nos \u00faltimos 10 anos, cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas resultaram em 220 milh\u00f5es de deslocamentos internos. As proje\u00e7\u00f5es para o futuro s\u00e3o ainda mais sombrias. A ACNUR \u2013 Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados &#8211; estima que em 2050, at\u00e9 200 milh\u00f5es de pessoas precisar\u00e3o de assist\u00eancia humanit\u00e1ria devido \u00e0 perda de seus lares. Contudo, h\u00e1 previs\u00f5es mais negativas, como do Institute for Economics and Peace (IEP), que prev\u00ea mais de 1 bilh\u00e3o de refugiados clim\u00e1ticos por volta de 2050.<\/p>\n<p>Quest\u00f5es de g\u00eanero chamam a aten\u00e7\u00e3o nestes movimentos: as mulheres e meninas representam impressionantes 80% dos refugiados clim\u00e1ticos globalmente.<\/p>\n<p>No Brasil, mulheres negras e ind\u00edgenas enfrentam uma conflu\u00eancia de opress\u00f5es que amplificam sua vulnerabilidade \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O Centro Brasileiro de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica levantou um panorama nacional que mostra como os riscos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2014 e o acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas \u2014 s\u00e3o distribu\u00eddos de forma desigual. Por exemplo: 77% dos domic\u00edlios com inseguran\u00e7a alimentar s\u00e3o chefiados por mulheres, e 70,6%, por pessoas negras.<\/p>\n<p>A busca das mulheres por justi\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 insepar\u00e1vel de sua luta por equidade e inclus\u00e3o. Suas hist\u00f3rias de resist\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o inspiram e fornecem li\u00e7\u00f5es essenciais para a constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es justas com mais sustentabilidade. A integra\u00e7\u00e3o das demandas de direitos humanos, g\u00eanero e clima cria uma interseccionalidade de agendas para entendimento dessas complexas disparidades, destacando a necessidade de abordagens que considerem a diversidade de experi\u00eancias e desafios enfrentados por diferentes grupos sociais.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, palco da COP30, o drama das secas se desenrola implacavelmente nos leitos dos rios, impondo \u00e0s mulheres e meninas um fardo adicional. Elas s\u00e3o for\u00e7adas a percorrer dist\u00e2ncias cada vez maiores em busca de \u00e1gua, essencial para suas atividades di\u00e1rias, ao custo de sua sa\u00fade e bem-estar.<\/p>\n<p>Garantir a presen\u00e7a feminina nas mesas de negocia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u00e9 uma quest\u00e3o de representatividade e justi\u00e7a para com aquelas que vivem na linha de frente dos efeitos devastadores do aquecimento global. As mulheres carregam o peso das consequ\u00eancias clim\u00e1ticas, e s\u00e3o pe\u00e7as-chave na formula\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias eficazes de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica em todo o mundo.<\/p>\n<p>Desde a COP-26 em 2021, ativistas ind\u00edgenas destacam a realidade brutal das queimadas ilegais e outras press\u00f5es sobre os seus territ\u00f3rios enfatizando a necessidade urgente de incluir as perspectivas ind\u00edgenas nas discuss\u00f5es globais sobre o clima. A sabedoria ancestral dessas comunidades oferece solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis frequentemente ignoradas nas c\u00fapulas internacionais.<br \/>\nNa COP29, em 2024, foi ressaltada a import\u00e2ncia de incluir refugiados nas pol\u00edticas clim\u00e1ticas e aumentar o financiamento para pa\u00edses em desenvolvimento. Atualmente, 84% dos refugiados e requerentes de asilo v\u00eam de pa\u00edses altamente vulner\u00e1veis ao clima, demonstrando como a crise clim\u00e1tica amplia as crises humanit\u00e1rias globais.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es das comunidades mais afetadas pelos impactos clim\u00e1ticos t\u00eam se traduzido em uma crescente onda de litig\u00e2ncia clim\u00e1tica ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Desde o Acordo de Paris em 2015, o n\u00famero de a\u00e7\u00f5es judiciais relacionadas ao clima aumentou em 70%, impulsionadas principalmente por ONGs e indiv\u00edduos, conforme apontado pela London School of Economics em 2024. Os Estados Unidos lideram esse cen\u00e1rio com 1.750 processos, seguidos por Austr\u00e1lia, Reino Unido e Brasil.<\/p>\n<p>A agenda da justi\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 marcada pela presen\u00e7a de jovens ativistas, como Greta Thunberg e o movimento Fridays for Future, que coordenam esfor\u00e7os contra as ind\u00fastrias de combust\u00edveis f\u00f3sseis e governos. Em 2018, jovens de 7 a 26 anos processaram o governo colombiano. Nos Estados Unidos, em 2020, 16 jovens levaram o Estado de Montana aos tribunais por violar seu direito a um ambiente limpo. No Brasil, em 2021, seis jovens, incluindo a ind\u00edgena Txai Suru\u00ed, desafiaram o governo de Jair Bolsonaro em busca de justi\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O aumento de processos legais contra empresas de combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 not\u00e1vel. Antes de 2014, esses casos eram raros, mas a partir de 2015, o n\u00famero subiu para 12 em 2020 e ultrapassou vinte por ano em 2024, segundo o Centro Sabin para Direito sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas. A interseccionalidade dessas a\u00e7\u00f5es revela a urg\u00eancia e a diversidade das demandas por justi\u00e7a clim\u00e1tica, destacando a import\u00e2ncia de abordagens inclusivas e equitativas.<\/p>\n<p>O Brasil se encontra em uma posi\u00e7\u00e3o \u00fanica para impulsionar uma mudan\u00e7a significativa na agenda da justi\u00e7a clim\u00e1tica mundial, promovendo uma discuss\u00e3o que reconhe\u00e7a essas desigualdades e busque solu\u00e7\u00f5es justas e equitativas para todos. Os desafios s\u00e3o imensos. Na posi\u00e7\u00e3o de l\u00edder da negocia\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica para o clima enfrenta os desafios para a implementa\u00e7\u00e3o dos direitos sociais, endere\u00e7ados principalmente na agenda da adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica com todas as dificuldades para o seu financiamento.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica se tornou inevit\u00e1vel a partir do atraso das agendas de transi\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o, exigindo investimentos robustos em infraestrutura que fortale\u00e7am a resili\u00eancia dos territ\u00f3rios e das habita\u00e7\u00f5es ao &#8220;novo normal clim\u00e1tico&#8221;. Contudo, os recursos para investimentos sem retornos lucrativos s\u00e3o escassos, sobrecarregando governos que j\u00e1 enfrentam limita\u00e7\u00f5es de or\u00e7amentos com altas d\u00edvidas financeiras. A justi\u00e7a clim\u00e1tica se encontra em uma encruzilhada no mundo. Seu reconhecimento \u00e9 t\u00e3o claro quanto a falta de recursos para as suas demandas. Al\u00e9m da prioridade necess\u00e1ria a adapta\u00e7\u00e3o, o atraso no financiamento clim\u00e1tico trouxe a urg\u00eancia para os fundos de perdas e danos. A li\u00e7\u00e3o de casa da mitiga\u00e7\u00e3o e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica andaram muito devagar gerando um quadro de reparos clim\u00e1ticos impositivos, tamb\u00e9m configurados sob a agenda da justi\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O custo de combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas disparou drasticamente do in\u00edcio do S\u00e9culo 21 para 2025. Segundo o Relat\u00f3rio Stern, em 2006 o mundo precisava de pouco mais de US$ 500 bilh\u00f5es anuais para mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, enquanto a adapta\u00e7\u00e3o custaria apenas alguns bilh\u00f5es. Ap\u00f3s 15 anos sem efetiva\u00e7\u00e3o de compromissos, o financiamento clim\u00e1tico agora ultrapassa US$ 9 trilh\u00f5es por ano: US$ 5,4 trilh\u00f5es para mitiga\u00e7\u00e3o, US$ 3,4 trilh\u00f5es para transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e US$ 300 bilh\u00f5es para adapta\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 projetado para US$ 1,35 trilh\u00e3o em 2035.<\/p>\n<p>O mundo perdeu a oportunidade de &#8220;pagar uma conta pag\u00e1vel&#8221; h\u00e1 quinze anos; hoje, essa conta recai principalmente sobre os governos. As quest\u00f5es cr\u00edticas permanecem: quem investir\u00e1 em infraestrutura para bilh\u00f5es de pessoas em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas, nas defesas costeiras contra a eleva\u00e7\u00e3o do mar e em todos os danos crescentes de cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas sem retorno financeiro?<\/p>\n<p>A escassez de recursos para adapta\u00e7\u00e3o amplia a vulnerabilidade clim\u00e1tica intrinsecamente ligada \u00e0 justi\u00e7a ambiental e ao racismo ambiental, formando uma interse\u00e7\u00e3o cr\u00edtica entre quest\u00f5es clim\u00e1ticas e direitos humanos sem recursos para a sua agenda. Este panorama aponta para a necessidade de a\u00e7\u00f5es al\u00e9m do \u00e2mbito diplom\u00e1tico da adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica para o enfrentamento das desigualdades, agora intensificadas pela crise clim\u00e1tica emergente. Projetos de mitiga\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es incluindo componentes de aten\u00e7\u00e3o aos mais necessitados, podem compor uma parte da solu\u00e7\u00e3o de recursos para a agenda socioambiental.<\/p>\n<p>Chegamos \u00e0 COP 30 sob intensa press\u00e3o para firmar acordos diplom\u00e1ticos que beneficiem aqueles mais afetados pelas cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas globais. O evento acontece em um pa\u00eds que recentemente foi testado em sua capacidade de manter a democracia, preservando um governo eleito que se dedica a atender os mais pobres. No que tange aos compromissos ambientais, o Brasil tem feito esfor\u00e7os not\u00e1veis no combate ao desmatamento, respons\u00e1vel por metade das emiss\u00f5es de gases de efeito no pa\u00eds, junto a retomada do complexo combate \u00e0 criminalidade na Amaz\u00f4nia. No entanto, promove pol\u00edticas energ\u00e9ticas contr\u00e1rias ao aquecimento global com a crescente explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, somado ao risco de retrocessos na legisla\u00e7\u00e3o de licenciamento ambiental, impulsionados por uma maioria parlamentar alinhada aos interesses da velha economia do S\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Vivemos em meio a contradi\u00e7\u00f5es entre incentivos a economia descarbonizada e protecionismo aos combust\u00edveis f\u00f3sseis e flexibiliza\u00e7\u00f5es de comando e controle ambiental. Estas contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o comuns a todas as na\u00e7\u00f5es, como evidenciado pelo insucesso da agenda clim\u00e1tica global nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas. Apesar disso, a atual conjuntura pol\u00edtica e a agenda socioambiental do governo brasileiro oferecem uma perspectiva positiva para a COP 30 em Bel\u00e9m, com a expectativa de avan\u00e7os significativos na justi\u00e7a clim\u00e1tica. Diferente das edi\u00e7\u00f5es anteriores, esta COP se realiza em um pa\u00eds que valoriza a manifesta\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e a interlocu\u00e7\u00e3o entre governos e causas socioambientais, oferecendo uma oportunidade \u00fanica para promover mudan\u00e7as significativas.<\/p>\n<p>Os desafios de consenso sobre as delibera\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas para o clima s\u00e3o reconhecidamente complexos, ainda mais quando na base das negocia\u00e7\u00f5es carecem entendimentos sobre os direitos das pessoas mais atingidas. Em uma an\u00e1lise das contribui\u00e7\u00f5es nacionalmente determinadas (NDCs) dos 195 estados nacionais signat\u00e1rios do Acordo de Paris (194 pa\u00edses mais a Uni\u00e3o Europeia), apenas 55 pa\u00edses inclu\u00edram medidas e aten\u00e7\u00e3o a igualdade de g\u00eanero, e apenas 23 colocam as mulheres como agentes de mudan\u00e7a para os desafios de combate as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Louv\u00e1vel, entretanto, ser\u00e3o os esfor\u00e7os para a evolu\u00e7\u00e3o desta agenda, ao menos na forma de um entendimento para as pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Simult\u00e2neo \u00e0 reuni\u00e3o diplom\u00e1tica, Bel\u00e9m ser\u00e1 palco da C\u00fapula dos Povos por Justi\u00e7a Clim\u00e1tica, tornando-se um epicentro de resist\u00eancia e mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade civil com a expectativa de reunir mais de 20 mil participantes. Estes incluem movimentos sociais, organiza\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, al\u00e9m de comunidades tradicionais, todos unidos para discutir e exigir um futuro mais justo. O evento contar\u00e1 com debates, marchas e plen\u00e1rias, pressionando por a\u00e7\u00f5es concretas e urgentes contra a crise clim\u00e1tica. A C\u00fapula apresentar\u00e1 uma declara\u00e7\u00e3o final \u00e0 presid\u00eancia brasileira da COP30 e outras autoridades, contendo propostas claras e urgentes para enfrentar a crise clim\u00e1tica e assegurar justi\u00e7a social. Esse documento representar\u00e1 a voz coletiva das comunidades mais impactadas, oferecendo solu\u00e7\u00f5es fundamentadas em saberes ancestrais e na necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas e eficazes.<\/p>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o do governo brasileiro em acolher manifesta\u00e7\u00f5es da sociedade civil organizada nesta COP representa um avan\u00e7o significativo no reconhecimento da agenda de justi\u00e7a clim\u00e1tica global. Embora os resultados possam ser debatidos quanto \u00e0 efetividade em termos de prazos e recursos, a instala\u00e7\u00e3o de uma agenda de di\u00e1logo oficial tem grande valor num momento crucial para as negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas globais. O Brasil tem a oportunidade de dar exemplo ao mundo, estabelecendo uma agenda s\u00f3lida para futuras edi\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Favela em Bel\u00e9m do Par\u00e1 &#8211; Foto: Bgabel at wikivoyage &nbsp; A COP 30 em Bel\u00e9m do Par\u00e1 coloca o Brasil no centro das aten\u00e7\u00f5es como potencial l\u00edder na diplomacia&#8230;<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":511,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[21,11],"tags":[],"class_list":{"0":"post-510","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-adaptacao-e-resiliencia","8":"category-financas-climaticas"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/aclimacao.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Bel-favela.jpg?fit=1536%2C1024&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=510"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":515,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510\/revisions\/515"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/511"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aclimacao.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}